domingo, 7 de dezembro de 2008

Meu bem querer...


Enquanto o tempo passa e penso já ser transparente, me deparo com questionamentos, que demonstram o quanto ainda insistes em não me ler.
A verdade é que sim, me lês quando queres, quando estás aberto, quando estás fora de sintonia com o seu mundo e em sintonia com o meu coração. Porém, por vezes, optas por não ler-me, não enxergar-me e pior, fechar-me e colocar-me na estante e deixar com que a poeira me cubra, até que eu resolva me sacudir. Não, não. Não sou um livro, mas tenho linhas, entrelinhas, tenho páginas. Aliás as mais sensíveis, as que afloram amor e desejo, escritas com a sua ajuda, no decorrer das edições e re-edições da vida.
Não, não sou um objeto, por mais que eu mesma, tenha me comparado a um livro.
Sou uma mulher, que muitas vezes , cedeu à razão e seguiu o coração, se entregando de corpo e alma, mesmo que a entrega ainda que vista do seu ponto, não tenha sido total.
E justamente por entregar-me tanto, dentro do pacote, foi sendo sempre renovada algo essencial para qualquer relacionamento, seja ele qual for: CONFIANÇA.
Confio no que me dizes, fiz a opção por esta altura de nossas vidas, de dar-te minha confiança (não cega, isso é óbvio) , mas a minha doce e essencial confiança.
Afinal, depois de tantos testes passados e até acreditados por sua própria indicação, que talvez eu nem a tivesse mais, nada mais justo que demonstrar-te que tenho, fazendo com que confies em mim, também.
O mínimo que posso querer de alguém, que detém a minha confiança, é que me venha retribuir , mesmo que nos pequenos gestos. E você não é alguém! Você não é qualquer um!
Porém, navegas em outros pensamentos e portanto justificas tua falta de uma atitude mínima, mas muito considerável, com a demonstração de fazer-me crer que meu mundo não gira, em torno de suas respostas, ou seus indícios de promessas.
Você sabe, que não é por este ângulo, que vi a situação.
O que me machuca é perceber, que maior que a falta de não demonstrar lembrar de mim, é ironizar e fazer-me sentir errada por querer sentir-me importante, lembrada, cuidada, nos pequenos gestos. Saiba que isso é tão ou mais importante, que sentir-se desejada.
Muitas vezes refere-se e até mencionas, que não sabe a pessoa com quem falas, no dia, por não saber qual personalidade, encontras aqui. E eu? O que penso? Num dia, são flores...no outro, o que será? Qual atitude tomarás???
Tudo bem...já passou e mais uma vez, pude ter oportunidade de refletir.
Como não houve nenhum "acontecimento extraordinário", que te fizesses não pensar que já passei por isso tantas vezes e que por confiar e não corresponderes, quebraria mais uma vez, o pequeno cristal de confiança, que sempre cato os caquinhos...tudo bem...
Infelizmente, só a reação do momento é analisada e eu vista como dependente e imatura.
Sinto que cada vez que aproximamo-nos, algo em nós, nos repele.
Que coisa é essa, que não nos permite, ficarmos em paz um com o outro?
Vai ver, tem que ser assim mesmo...
Cada um de um lado, cada qual no seu canto, com suas vidas, com seus amores. Afinal, você até, já tem o seu!
E eu que só queria vê-lo, abraçá-lo por alguns segundos, olhá-lo nos olhos e ouví-lo compartilhar um pouco da sua vida, fazendo a saudade desaparecer, compensando o tempo que não nos vimos.
Será que é tão difícil assim, uma tentativa de proximidade, mesmo que amigável?
Por uma parte foi bom, pois consegui perceber que não te influencio em nada MESMO e você por algum motivo, é claro, tem seu livre arbítrio, fez com que esse momento não acontecesse e nem se arrependesse de tal ou lamentasse sinceramente, mesmo que só por saber o que sempre significa para mim, estar ao seu lado.
Simplesmente, tudo foi transformando em um simples e fria frase: “ Nada de extraordinário aconteceu... - meu mundo caiu, porque não me ligastes?”.
Sinto muito, por ainda me enxergares tão pequena, diante de algo tão maior: o meu bem querer por ti.

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